Publicado por: R. Mutt | Junho 16, 2009

Questões da praxe

universidade

Uma visita recente de um amigo a Coimbra trouxe de novo à discussão uma velha história que sempre me irritou solenemente: a confusão de alguns “esclarecidos” que teimam em dizer que a Torre da Universidade é, afinal, a Torre da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Claro, é um discurso que vem de dentro, uma espécie de lobby pela conquista da tradição pelo costume. O visitante não conhecia Coimbra, nem a Universidade e teve como cicerone uma estudante de Direito que lhe terá dito “olha, esta é a Cabra, a torre da minha faculdade”. Ele acreditou.

Admito que possa ter sido pura ingenuidade, mas eu também estudei naquela Faculdade – uns meses curtos, mas muito intensos – e sei que há uma boa parte daquela gente que acredita convictamente que a FDUC é um caso à parte. “Coimbra é Direito”, “Direito é exigência”,  “não é qualquer um que acaba o curso”, “se não é assim, porque é que só Direito funciona nos edifícios originais da Universidade?” etc, etc, etc. Sem meias palavras, conversinha de merda.

Na altura em que era estudante isso irritava-me e irritava-me também alguma hipocrisia. Umas vezes eram privilegiados porque tinham aulas com os grandes pensadores do Direito do País, da Europa e até do Mundo (e tinham, mas nem lá iam), outras vezes os velhos catedráticos eram todos uns valentes merdas com a mania que no tempo deles é que se estudava a sério e que agora só queriam dificultar e prejudicar intencionalmente. Mas então, como ficamos?

Isto era em 1998. Parece que ainda está tudo na mesma.

Que fique registado que fiz grandes amizades na FDUC e até tenho saudades de lá estudar, ao ponto de pensar acabar o que deixei incompleto um dia. Ah, antes que atirem pedras, eu era dos que iam às aulas das 8.30 dos grande senhores daquele sítio. Ainda hoje me lembro de cor de muitas frases do Gomes Canotilho no Paulo Quintela, o auditório da Faculdade de Letras, para onde mudei, ou dos desvairios do Pinto Bronze e do seu “tradicional cepticismo, axiologicamente agnóstico do Positivismo”.


Responses

  1. Ah carago

  2. Foi no Paulo Quintela, há precisamente…15 anos, que sentei ao lado dela e nunca mais a larguei…Sem dúvida que Coimbra deixa muitas saudades…falando nisso, tenho que pensar no ZaimaStock…
    PJ

  3. O amor já é lindo e em Coimbra então é eterno!🙂


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