Publicado por: R. Mutt | Dezembro 4, 2008

Super Bock em Stock, dia 1

O conceito já está bem experimentado lá fora e Lisboa tem tudo para ser um palco ideal para o receber. O Inverno ainda é a estação de maior marasmo nestas coisas da cultura e um cartaz moderadamente atractivo, aliado a uma ideia de festival urbano fora de época, é o suficiente para tirar os melómanos de casa.

O Super Bock em Stock não é bem um South by Southwest (Austin, Texas), mas conseguiu levar muita gente às duas salas do São  Jorge, ao Tivoli, ao Maxime e ao Teatro Variedades. Música sem parar, das 21 horas até perto da 1 da manhã, e um autêntico frenesim na Avenida da Liberdade e Parque Mayer.

Ladyhawke

Ladyhawke

Começamos a noite na lotada Sala 1 do São Jorge para ouvir a neozelandesa Ladyhawke. A 10 minutos da hora marcada já o corredor central estava completamente preenchido e vimo-nos obrigados a escolher dois lugares laterais, a 2 metros de uma montanha de colunas a debitar uma quantidade de decibéis quase no limite do suportável. Na fila em frente, assistia interessado o ponto negro Filipe Sousa. Valeu-nos a debandada dos que estavam mais interessados em marcar lugar no Tivoli (Santogold subia ao palco às 23 horas) para conseguir um poiso onde os nossos tímpanos não estavam em risco de implosão. Mas voltando ao que interessa, o electro rock de Ladyhawke não decepcionou, sendo muitas vezes ajudado por vozes e teclados enlatados, que deram uma maior dimensão à sua sonoridade meio 70’s, meio 80’s. Ainda Phillipa Brown (aka Ladyhawke) não tinha terminado um envergonhado thank you e já nós saiamos apressados para o piso de baixo, onde nos esperavam os Pontos Negros (já com Filipe Sousa, calculámos). Pelo caminho, ainda houve tempo para esbarrar com uns quantos VIP’s. Entre eles, Ricardo Costa (o da SIC):
– Já acabou Ladyhawke?
– Já era. – despachou o Jorge.
– Já era. – replicou o artista, certamente lamentando não poder fazer-se notar dentro e fora da sala ao mesmo tempo. Olhem só para mim, sou o Ricardo Costa e sou tão cool!

Tudo bem meu caro, mas agora sai lá dá frente que a malta quer é curtir. Incrível coincidência esta das figuras públicas escolherem sempre os locais de passagem para se plantarem.

Os Pontos Negros

Apenas meia casa para ver e ouvir a banda de Queluz. O espaço era perfeito: estilo café concerto/garagem pós-moderna, mas sem serviço de bar. O roque enrole foi rei, mas apenas Contos de Fadas de Sintra a Lisboa fez abanar verdadeiramente o estaminé. Os rapazes são competentes e sem vaidade, com ar de quem sabe dar uma festa, mas a verdade é que não se compreende como uma banda que tem nas letras um dos seus pontos fortes, logo menos negros, tenha um som ao vivo tão sujo ao ponto de não ser perceptível metade do que Jónatas e Filipe dizem ao microfone. E nem me posso queixar, uma vez que até conheço as letras todas, mas o pobre Jorge reteve pouco mais do que a palavra tortura. Por isto e Santogold, saltamos borda fora a meio da última música.

A Fine Frenzy e El Perro Del Mar

A Fine Frenzy

Na outra margem da Avenida não nos esperava Santogold, mas sim uma pequena multidão ansiosa por entrar. Professor Astromar ao ver que não pode penetrar, vira costas sem pensar, olha para a agenda e decide-se pelo Variedades. Sala mítica, ou quase, mas vazia. Entretanto, uns conhecidos dizem-nos que o Maxime já caminha para a lotação máxima e como não queremos perder El Perro Del Mar dirigimo-nos imediatamente para lá.

De facto, o cabaret estava muito concorrido e cedo percebemos porquê. Apresenta-se como A Fine Frenzy, é de Los Angeles, tem 23 anos e é uma pianista de voz doce e composições simples. Alison Sudol é o seu nome. Agradável surpresa, que deixou a plateia rendida. Pelo ar compenetrado que exibia, o lendário homem tigre Paulo Furtado também estava a gostar. Um outro Paulo, o Gonzo, preferiu ficar a beber umas jolas junto à porta de entrada, claro.

Já instalados em redor de uma mesa supostamente reservada, num daqueles recantos obscuros do Maxime, esperamos por El Perro Del Mar. Impressionante também este fascínio nórdico pela Espanha e pelo espanhol. Depois de uns suecos que escolheram chamar-se I´m From Barcelona, eis que surge uma loira alta e amargurada e um sensível rapaz barbudo, chamados El Perro Del Mar. Uma voz doce, outra vez, acordes simples e bonitas melodias. Tudo muito bem, mas talvez um pouquinho mais de arrojo, uns malabarismos na voz, não sei, qualquer coisa, lhes pudesse dar um toque mais singular. Ainda assim, nota muito positiva, em particular para a primeira música do pequeno encore, para mim o melhor da noite.

Hoje há mais.


Responses

  1. […] de terem vencido as TMN Garage Sessions e de terem feito parte do cartaz do Super Bock em Stock (estive lá, mas não os vi actuar). O resto, lembrava-me de uma ou outra coisa que fui lendo nos sítios do […]


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