Publicado por: R. Mutt | Maio 18, 2008

O sabor da cereja salvou-lhe a vida


Lembro-me da primeira vez que me falaram de O Sabor da Cereja. Foi com tal entusiasmo que a vontade de ver o filme de Kiarostami o quanto antes era maior do que a tentação de atirar, num espaço público qualquer, aquele aviãozinho de papel que fizemos ali mesmo.

Só depois percebi que já tinha visto excertos do filme na RTP 2. Devia ter uns 17 anos e a 2 era a minha sala de cinema.

Agora, tinha a oportunidade de o ver de uma forma mais cuidada e, de facto, O Sabor da Cereja é qualquer coisa de genial. O filme conta a história de um homem, Baddi, que percorre as ruas e periferias de Teerão à procura de alguém que o ajude na sua derradeira missão, o suicídio.

Conduz um jipe vagarosamente pelas ruas poeirentas das montanhas, à procura de alguém que a troco de dinheiro cobrisse o seu corpo morto com terra. Cruza-se com um soldado, treinado para matar, um estudante de teologia, lapidado para defender o valor da vida e um taxidermista, hábil no ofício de montagem e preservação de cadáveres de animais.

O último é o único que acede ao invulgar pedido, acreditando que Badii não se iria matar. Também ele havia em tempos decidido pôr fim à vida. Não conseguiu. Foi salvo pelo sabor de uma cereja.

A não perder.


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